O Relato de Parto… da Mari, a Parteira!

[Comentário meu: Adivinhem se eu chorei?? rs…]

Por Mariane Menezes

Conhecia a Deborah há algum tempo por estudarmos juntas na Saúde Pública (FSP-USP), tinha inclusive ido a um encontro no ABC do MaternaMente. Com tudo isso e interesses em comum o vínculo aumentava – e aparentemente aumentavam também os planos na cabeça da Déh que, felizmente, nunca para de borbulhar. Um dia em junho de 2011 ela pergunta se eu iria com ela acompanhar o trabalho de parto uma gestante primigesta de SBC que teria o parto em CP. E eu, que sou de pensar e pesar a maioria das decisões, nesse momento aceitei sem titubear. 

Pouco tempo depois (dia 12/06) a Carol aparece no meu facebook, trocamos algumas mensagens por lá e começamos a conversar as três por e-mail. Nos e-mails do dia 13 de manhã a Carol exibia uma percepção corporal incrível, sentindo a pressão no ventre, a Elis descendo, um tempo depois o tampão começa a dar as caras, contrações esporádicas… 
De conversa em conversa de tarde eu e a Deborah marcamos ir 18h pra casa da Carol ver como estariam as coisas e enquanto isso a Cá comia, se preparava para o que estava por vir. Em algum momento da tarde, por volta das 15:30 a Deborah me liga dizendo que as contrações aparentemente estavam mais intensas e eu, que já estava com a mochila preparada naquela tarde gelada, resolvi ir mais cedo imaginando que passaria a noite toda por lá, mas que seria bom ir antes até mesmo pra nos conhecermos (ainda não havia dado tempo) e quem sabe deixá-la mais segura. 
Como não havia achado uma maneira fácil de ir pra casa da Carol, pedi pra minha mãe me dar uma carona (ela entende bastante de SBC, bem diferente de mim), e lá fomos sem eu ter a menor idéia do que me esperava pela frente. Acho que era algo tipo 16:20 quando cheguei. Logo que subi conheci o Jeff, todo querido, e seguindo os sons dos gemidos encontrei a Carol deitada na cama com um ar de quem havia acabado de sair do chuveiro. Ela estava em uma contração então peguei em suas mãos e fiquei ali observando aquele mulherão em um momento tão especial. 
Conversamos um pouco (e daqui pra gente não lembro exatamente do que foi falado e da ordem dessas falas, mas contarei como minha memória permitir), auscultei a Elis com aquele empurra-empurra típico do uso do Pinard e os batimentos estavam ótimos. Perguntei se podia tocar e, para a surpresa de todos já tinha 5cm de dilatação! Falei pro Jeff e pra Carol e também disse que a decisão era deles, dava pra esperar mais um pouco (!!!), como também já dava pra ir, nisso saí do quarto pra falar ao tel com a Deborah. Quando voltei continuei doulando e vi o Jeff com o celular, imaginei que ele estaria ligando para os sogros (que nos levaria à CP) e comecei uma dinâmica uterina (contar o tempo das contrações, sentindo a intensidade e intervalo). 
É engraçado porque falando assim em tempo não dá pra ter noção do quão rápido tudo foi, sabe? Mas olha, foi rápido demais, parecendo aquelas mulheres parindo o quarto filho que tudo acontece extremamente rápido e você não tem nem tempo de pensar direito na “próxima ação”, o bom é que grande parte disso vem naturalmente… 
A Carol começou a dizer que não queria ir pro hospital. Dizia, pedia, mandava, implorava, tudo junto ali. O que era claro é: não vai rolar hospital! Eu ficava acalmando, dizendo que tudo bem, não iríamos ao hospital. Fui auscultar novamente e… o foco (lugar onde ouvi antes) não estava no mesmo lugar, procurei e achei beeeeeeem mais pra baixo (assim, mais pra baixo na barriga, o que significa que a bebê desceu), isso mais as contrações fortes e ritmadas. Lembro do Jeff entrando no quarto com o telefone no ouvido e olhando a gente e eu devo ter aberto uns olhos enormes e disse “tá indo muito, MUITO rápido”. 
Pouco tempo depois a Carol já diz: “Mari, to com vontade de fazer cocô” eu falo que deve ser a cabeça empurrando já bem em baixo, e que algumas vezes tem cocô também, daí ela “você já fez algum parto?” respondi afirmativamente e logo depois “ai vontade de cocô e xixi”, minha sugestão foi irmos até o vaso, ela faz xixi e vê se é cocô mesmo. Fomos até lá e pareceu que a Carol tinha se achado ali naquela posição mais vertical. 
Junto vieram alguns puxos e na minha cabeça “Sério? Já? Mas será?” ao mesmo tempo a Deborah liga e eu atendo, mas não queria falar nada demais ao tel do tipo “acho que já vai nascer” pra não assustar a Carol e o Jeff e sei que fiquei meio muda ao tel e a Deh ouvindo os puxos o Jeff com o celular por ali ligando pra nossa carona! Depois perguntei se tudo bem eu tocar mais uma vez. Sei que naquela posição eu senti um restinho de nada de colo e uma cabecinha suuuuper baixa. 
A Carol super-mulher-fera-na-partolândia “pode empurrar?” “pode” e logo depois digo que ali na bacia estava complicado inclusive pra ela e bem apertado, “onde você quer parir?” “no quarto de trás”, com a maior naturalidade e segurança imaginável. Lá vai o Jeff correndo tirar o carrinho, as coisas do quarto da Elis, pegar o tapete de yoga da Carol, eu perguntando “onde tem um banquinho?” tudo arrumado em poucos segundos e lá fomos para o quarto. 
Uma contração enquanto a Carol ainda se abaixava com o Jeff atrás apoiando, eu botando outras luvas e na próxima contração a cabecinha da Elis coroa, a bolsa rompe (em um mecônio que fez meu coração acelerar ou será parar por alguns segundos?) e a Elis desliza rapidamente sobre as minhas mãos, toda cheia de vida… com tônus, corada, tiro uma circular cervical e a entrego pra Carol aos olhos do Jeff, 17:22 daquela tarde que era muito fria lá fora e cheia de ocitocina e calor humano ali dentro. 
Elis começa a respirar calmamente no seio da Carol enquanto eu a seco com uma toalha, ah sim, quase esqueço, e a Carol ansiosa pra confirmar o sexo. Carol e Jeff em lágrimas, Elis super calma ali no aconchego dela, eu admirando aquela cena linda quando o pai da Carol chega “parabéns” e ele ouve olha a cena da neta nos braços da filha nos braços do genro e também se enche emoções começa a chorar, fica feliz, babão, quer saber o que fazer, quer ligar pro Samu, agir de alguma maneira pra ajudar! 
Ligamos pra CP pra avisar sobre tudo, a Elis começa a ensaiar algum choro, a Deh liga ali bem perto e perdida “Deh, faz vinte minutos que uma menina nasceu”, o pai da Cá desce pra comprar algum material pra clampear o cordão (principalmente porque a placenta ainda não tinha saído e a Carol não conseguia se movimentar direito). 
Novamente tudo ali continua passando muito rápido (ao menos na minha memória é assim), o cordão cortado, a Elis com o papai, vovô a vestindo pela primeira vez, a Deh chegando e entrando pro clima de emoção, banana pra Carol se sentir mais forte, e tudo parece muito calmo quando a Elis vai pela primeira vez pro peito de mamãe. O quarto ficou realmente bagunçado com o parto não planejado para ser ali, e sim, gastamos todas as toalhas entre banhos (antes e depois do parto) e enxugar a pequena… 
Mas como é inesquecível a força da Carol, o clima de estar fora do hospital, de obrigações disso, daquilo, do cheiro da pizza chegando na cozinha, uma reunião de conversas gostosas e engraçadas na cozinha, o rosto de plenitude de cada um que estava ali. Essas coisas não têm como esquecer, obrigada por me deixarem estar presente nessa história tão linda.

Veja aqui o Relato pelo olhar da Carol!
http://mepari.blogspot.com/2011/06/relato-do-parto-da-elis.html

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2 comentários sobre “O Relato de Parto… da Mari, a Parteira!

  1. Pingback: Uma história de parto feliz: o nascimento da Elis! :) | Parir-se ao Parir

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