O parir das ideias.

Por Carol Valente

O parto simboliza o processo das transformações da vida. Quando nasce uma ideia, uma situação, ela é ainda o embrião. Nem faz volume na barriga, mas, ao mesmo tempo, é motivo de grande preocupação. Como vou agir? Que mãe serei? Como será essa nova situação da minha vida? No início dá muito medo. Aquela ideia, novinha em folha, que acabou de ser concebida, amedronta. E, por isso mesmo, a natureza é tão sábia, que diz: “você precisa esperar nove meses para que ela nasça”. E você, com muito carinho, cuida daquele embrião, durante toda a gestação, até se transformar em algo real, na sua cabeça e no mundo.

Sim, muitas vezes, aliás, na maioria delas, a gente não se sente preparada para receber essa “ideia”, esse sentimento, esse novo “ser” que habita nosso mundo psíquico e/ ou físico, mesmo depois dos nove meses de gestação. Aliás, nas últimas semanas é que bate o maior medo. Chega a ser paralisador, se a gente não estiver acompanhada das pessoas certas. Isso também vale para novas idéias e situações. E se a gente não tiver fé, então? E aí que a gente entende a importância dela também.

Parir uma nova ideia de “parto natural” requer muita coragem. Porque ninguém vai fazer isso por você, se não for você mesma. Ninguém vai sentir as dores das contrações por você, e ninguém também tem o direito de “induzir” o parto das idéias. O melhor jeito de parir idéias é de forma orgânica. Ahhh… se tudo no mundo respeitasse sua organicidade, seria tão mais interessante! Deixar as coisas serem concebidas, gestarem, e nascerem na sua hora certa. Sinto que tudo o que tem seu tempo respeitado nasce da forma mais bonita possível. Nasce de verdade, sem intervenções, sem pressão.

E quando aquela ideia nasce, dá uma paz no coração, uma sensação de missão cumprida. De ter respeitado o tempo daquela ideia ser gestada. Ela vai nascer com muitos medos também, lógico, mas certamente muito mais pronta para encarar as dificuldades que virão, porque sim, elas virão. E nós estamos mais preparadas para passar por estas dificuldades, porque o trabalho de parto simboliza exatamente o momento em que aquela ideia está prestes a nascer. E não, o trabalho de parto não tem nada de indolor.

É tudo muito bonito quando se vê de fora, mas a verdade, a verdade mesmo, é que parir uma pessoinha e/ou uma ideia só nossa, requer uma coragem do c….alho. Requer muita, muita resiliência. Requer fé, como nunca tivemos antes. Requer confiança em quem está ao nosso lado todos os dias. Requer muita, muita autoconfiança. Acreditar que as coisas vão dar certo, e, ao mesmo tempo, saber que só depende de você, da sua força no “expulsivo” daquela ideia.

Ahhh… o expulsivo. É quando a dor é ainda maior, parece que seu corpo vai abrir em dois. Mas, ao mesmo tempo você SABE: algo novo está prestes a nascer. Algo só seu. Você gestou aquilo durante tanto tempo, que aquilo é parte total de você. Sim, você está louca para conhecer aquilo que gestou. Então, SIM, você fará força até aquilo nascer, para, assim, sua nova vida nascer junto.

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