Ser mãe é se cuidar.

Por Carol Valente
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Texto que escrevi para o blog MaternaMente, link original: http://maternamente.blogspot.com.br/2012/08/ser-mae-e-se-cuidar.html.
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A maternidade vem para tirar muitas coisas do lugar, mas também, para colocar em seu lugar situações que nunca estiveram onde deveriam.
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Quando a gente se torna mãe, quer o melhor para os nossos filhos, mas isso já sabemos. Mas acontece, para isso, um fenômeno estranhamente bonito. Ao invés de sempre só pensarmos no nosso filho para que ele fique bem, chega-se à conclusão de que, para que ele fique bem, primeiramente nós, as mães, temos que estar bem. Porque, quando pequenos, tudo o que eles precisam é que as pessoas que cuidam dele estejam bem, para, assim, faze-lo melhor maneira. Encher de presentes, deixa-lo sozinho, mesmo que com as melhores roupas e brinquedos, não fará a mínima diferença no seu desenvolvimento emocional. Tudo o que um bebê pequeno precisa é de amor e carinho, e isso só saberemos dar, de verdade, se estivermos bem conosco. Porque a gente aprende ao longo da vida que, para cuidar do outro, temos primeiro que estar bem, e com filhos isso fica ainda mais forte.
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E aí, conforme a gente se dá conta disso, tudo começa a mudar ao nosso entorno. Porque, para que fiquemos bem, precisamos rever as coisas que fazemos no dia a dia… precisamos pensar se, dentro de nós, aquilo que estamos escolhendo para nós faz sentido para a nossa felicidade. E então, a gente passa a rever cada pequeno detalhe que, antes de sermos mães, passava batido, e fazíamos por estarmos apenas copiando um comportamento que nos foi apresentado quando criança ou adolescente, sem pensar se aquilo faz, de fato, diferença e sentido para nós.
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Com isso, nós começamos a perceber que passamos a fazer escolhas que nos machucam menos, porque, além de querermos nos cuidar, já temos o maior presente do mundo, que se chama “filho”. Não precisamos sair por aí “mendigando amor”, pedindo pelo amor de Deus para sermos amadas e aceitadas, porque a maternidade já nos preencheu. E então, acontece essa relação estranhamente bonita: eu me cuido para que possa cuidar de você, meu filho. E quando você crescer, a chance de eu saber te dar asas para voar neste mundo serão maiores, porque, quando você era pequeno e precisava realmente de mim, eu me cuidei e fui atrás do que faz sentido para mim, para saber cuidar de você. E quando você crescer, quem sabe, estarei me sentindo muito melhor para fazer escolhas melhores para mim também.
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Quem é mãe sabe que na teoria é bem fácil falar: filho a gente cria para o mundo. E de fato sabemos que deveria ser assim, mas, tantas vezes, nos vemos perdidas naquele sentimento de aprisionamento, queremos mante-los “debaixo da asa” instintivamente… mas sabemos que, com o passar do tempo, teremos de “deixa-lo ir”, e por isso mesmo, temos que cuidar de nós cada vez mais, para que essa relação se fortaleça e não seja de aprisionamento, para ambos.
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A sociedade quer que nós mães nos anulemos, que não olhemos para nossos partos, nossos corpos, nossos peitos, que não olhemos para a amamentação, que fiquemos cegas diante da maternidade. Se seguirmos o que de fato o sistema quer, seremos, como muitos dizem, apenas um “vaso” que carrega o bebê. Mas eu discordo totalmente dessa afirmação, pois quando grávida me sentia extremamente importante por estar gerando um ser humano, e agora como mãe, me sinto presenteada pela vida com algo chamado amor incondicional, o que me dá forças para olhar para mim e ver que eu mereço, sim, me cuidar. Deixemos de lado todos os pré-conceitos que nos impõem antes de sermos mães, e olhemos, de uma vez por todas, para nós e para o que faz sentido para nós.
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Acredito que o que eu escrevi acima também se encaixa para mulheres que não são mães. Deixemos tudo o que nos falam de lado, e olhemos para nós, apenas para nós. E com o tempo saberemos também agregar o que os outros falam, mas de forma que sempre passe antes pelo nosso “filtro” interno. O que acham do meu convite?
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