Amar e cuidar

Por Carol Valente

Tem uma coisa que a gente aprende ao ser mãe, que, pelo menos para mim, antes, nunca passou pela minha cabeça. O real significado da palavra “cuidar”. O que é cuidar? E como é não só para quem está recebendo o cuidado, mas também para quem pratica o cuidado? Como a pessoa que está cuidando se sente com isso? E esse cuidado, é praticado de forma inteira ou só pela metade? E como se sente a pessoa que recebe o cuidado de alguém que se dá por inteiro ou pela metade? São pensamentos que ultimamente me visitam.

Cheguei a uma conclusão. Eu, antes de ser mãe, nunca entendi o real significado de cuidar. Eu achava que queria “ajudar” aos outros porque eles precisavam dessa ajuda, mas, de verdade, não estava 100% naquele momento. Eu cuidava porque a pessoa precisava, e isso nunca aconteceu com grande frequencia. Mas, agora, depois da maternidade, entendo que cuidar tem um sinônimo. Doar-se. Doar-se sem querer nada em troca. Doar-se tendo como troca a felicidade de alguém. Você já sentiu isso?

Eu confesso, é um exercício muitas vezes. Percebi que nunca me doei de verdade para ninguem, nem para namorados, amigos, ninguém mesmo. Doar-se de verdade para alguém é bastar ver o outro bem. Eu sempre procurei algo em troca. Confesso aqui, no “alto” dos meus 1 ano e 4 meses de maternidade. E com isso, chego a uma conclusão ainda mais forte: de verdade, acho que estou aprendendo somente agora o que é amar. Acho que nunca amei de verdade a ninguém. Porque percebo agora, amar também é não esperar nada em troca. É doar-se. Mesmo, e o tempo inteiro.

Mas não me sinto culpada por isso, muito pelo contrario, entendo que são fases na vida que temos que passar. Acho que a maternidade veio, para mim, para tirar um um véu, algo assim. Um véu que eu colocava em mim mesma, para me proteger do mundo, com medo de me entregar, medo de mostrar minhas fraquezas, de as pessoas perceberem que sou alguém que erra, e erra feio, como todas as pessoas. Eu tinha medo de admitir para mim mesma, que era um ser errante.

Porque amar é isso, é escancarar todas as belezas e “podres” presentes em nós sem medo. E não, antes eu não fazia isso. Sim, eu tinha muito medo. Na verdade, eu ainda tenho muito medo, mas faço mesmo assim, porque sinto que essa doação de amor me faz crescer como pessoa, quanto mais me dôo e amo incondicionalmente, sinto que meu coração se purifica. Talvez só mesmo com a maternidade a gente entenda isso. Talvez outras pessoas não precisem da maternidade para entender. Mas para mim, cuidar é amar de verdade, e aprender a se amar ao mesmo tempo. Louco, né?

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