Idealizei a maternidade, sim. E não me sinto culpada.

A gente passa a vida toda achando que, quando formos mães, as coisas vão mudar. Que, o que está ruim hoje, pode, com a chegada de um filho na nossa vida, melhorar. Bem, pelo menos eu sempre achei isso, desde que era pequena. Eu tinha certeza de que a minha relação com algumas pessoas, que nunca foi muito boa, iria melhorar com a chegada de mais alguém na família. Que os pontos de vista iriam mudar, que as pessoas entenderiam melhor umas às outras.

Podemos dizer que eu levei um baita de um tapa na cara. Sim, eu idealizei a maternidade. Sim, eu achei que ela ia resolver todos os meus problemas. Não todos, mas boa parte deles. Aí me pergunto, porque será que eu pensava desta forma, o que me levou a pensar assim? será a mídia, que passa tudo cores pastel, rosinha claro, azulzinho claro, tudo muito leve e doce… será a sociedade, que criou estereótipos de mãe, que tudo é fofinho, que a amamentação é um momento fácil, que tudo está sempre lindo e claro? ou, de verdade, foi algo que eu criei na minha cabeça, sei lá porque cargas d’água? Vai ver eu queria inventar um paraíso, já que as coisas estavam tão difíceis mesmo, pensar na maternidade me dava uma esperança de melhora na vida, então eu decidi “criar” este “mundo perfeito” para poder “sumir” quando as coisas estavam difíceis. Vai saber.

Mas, apesar de saber que não foi saudável criar esta fantasia a vida toda, eu não me sinto culpada por ter feito isso. Não mesmo! Porque se eu a criei é porque, de alguma forma, precisava disso. E precisava mesmo, pra chegar até aqui, com minha filha de 1 ano e 9 meses, e agradecer à vida por ser mãe. Mas não porque é tudo lindo como imaginei… não, não é. Só que, aconteceu algo muito curioso: o que eu pensava que ia melhorar, chegou até a piorar. Mas por outro lado, descobri coisas em mim que nunca imaginei. Coisas positivas, uma Carol que estava aqui meio apagada, esperando a boa vontade dos outros, o amor dos outros, a expectativa dos outros, e não ligava para o que ela mesma pensava. 

Essa idealização que eu criei antes de ser mãe, foi de relacionamentos com algumas pessoas. Essas pessoas não mudaram como eu imaginei que aconteceria. Lógico. Hoje está claro pra mim. Cada um é o que é, e eu não tenho o direito de muda-los. Mas, quem mudou fui eu.

Eu mudei porque, com o nascimento da Elis, ela veio me dizer, naquele 13 de junho de 2011: “mãe, você merece se amar. Você merece querer o melhor para você. Você merece estar com quem te faz bem. Você merece fazer o que te faz bem. Você não precisa da aprovação dos outros, porque a vida te aprova, e isso basta. E eu estou aqui, como um presente da vida, pra te dizer isso.”

É engraçado como mudam os pontos de vista com a chegada de um filho. Eu sei que ela não estará pra sempre grudada em mim, como está agora. Sei que um dia ela vai abrir as asas e voar, para o mundo dela, do jeito dela. E eu quero estar madura o suficiente, pra dizer: vai, filha. Vai, e quando precisar de um colo, um afago, um carinho, eu estou aqui. É isso o que quero ser para você, Elis. Porque é isso o que você tem sido para mim: a lembrança do quanto a vida me quer bem. Do quanto eu mereço querer o meu melhor. E é isso o que estou cultivando em mim, neste momento, enquanto você está aqui bem pertinho: o quanto eu mereço ser feliz. Para que eu nunca mais esqueça.

Chegando perto da páscoa, penso que é este o sentimento de renascimento real da maternidade: não é o renascimento do relacionamento com os outros. É o renascimento do nosso relacionamento conosco. Porque, de verdade, é só isso o que importa. Com isso, todo o resto irá mudar. Nem sempre fácil, mas sempre ensinando muito. Posso dizer: vale à pena. E valeu a pena cada momento idealizado! Porque sem esses momentos, talvez, hoje eu não tivesse tido coragem de ser mãe, e assim, me redescobrir. Obrigada vida, por este presente :)

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