O parto da Elis e minha relação com a espiritualidade.

Muitas vezes a gente não consegue entender porque algumas coisas acontecem. A gente se pergunta: porque comigo? E aí entra em desespero, não sabe lidar, mete os pés pelas mãos, faz muita “cagada”. Bem, acredito que fazer cagada faz parte da vida. Com essas cagadas aprendemos muito, se formos espertos. Porque eu acho que nada acontece por acaso, tudo vem como forma de evolução, para que aprendamos algo.

Quando passei a dar uma dimensão mais espiritual aos acontecimentos, passei a entender a aceitar muitas coisas que antes tinha dificuldade. Tive uma fase bem cética e desesperançosa. Mas não me arrependo, acho que todas as nossas vivências servem para construirmos as próximas. Acredito que eu precisava passar pela fase cética, sem acreditar em nada, para justamente ver que não precisa ser assim. Eu só ia conseguir entender isso, passando por isso, não ia adiantar ninguém me falar.

Quanto à chegada da minha espiritualidade, eu sei exatamente o dia em que isso começou: 13 de junho de 2011. Nascimento da Elis. A forma como ela nasceu, me deu total certeza da forma equivocada que eu vinha pensando a vida, como se não existisse nada além deste mundo. É mentira, total mentira. Naquele dia o que mais esteve presente foi a MINHA força interior, e a minha conexão com a minha filha. Naquele dia, eu e ela ainda éramos apenas uma, e fizemos como uma engrenagem muito bem instalada, o parto da Elis. Fizemos juntas. Mas eu sentia, em trabalho de parto, que estava sendo protegida por muito mais do que coisas terrenas. Sentia que aquela força vinha de mim, mas não ali apenas presente, vinha das minhas ancestrais, da minha mãe, minha avó, bisavó e por aí vai.

E com esse acontecimento tão grande na minha vida, eu passei a questionar meu jeito cético, e um ano depois comecei a viver um momento muito crítico, o mais difícil da minha vida. E neste momento, não tive dúvidas: me aproximei dessa espiritualidade. Sinto hoje, 9 meses depois que começou esse momento critico, que sem essa fé eu não teria conseguido passar por este momento. Na verdade este momento ainda não terminou por completo, mas sinto que aos poucos a tempestade está indo embora. 9 meses de tempestade, ufa. E to aqui, viva e mais fortalecida. Ainda me recuperando, mas me sinto melhor.

O trabalho de parto é muito simbólico pra tudo na vida, aprendi. Porque é assim, começa devagar, em várias contrações, mas espaçadas. Aí as contrações começam a aumentar a intensidade e o tempo. É o corpo querendo “expelir” aquela situação/ ideia,que foi gestada durante um tempo, o tempo necessário para aquela situação. Elas chegam a ficar tão fortes, que você acha que não vai aguentar. Pede anestesia. Mas sabe que precisa passar por aquilo. Então fica firme. E aí, a ideia nasce. Com muita dor. Mas depois que nasce, passa tudo. E vem a sensação de alívio, de missão cumprida, de fase concluída. E isso significa muito, para o amadurecimento.

Acho que a fé tem me ajudado a enfrentar as situações de frente, como elas devem ser enfrentadas. Pra mim a fé é isso, um instrumento pra nos dar forças de enfrentar nossos problemas e monstros. Não é a vitimização, não é deixar na mão de Deus (ou o nome que quiser chamar), é confiar que Ele vai te ajudar, mas precisa antes que você queira e se esforce.

Respeito demais quem não acredita em nada disso e acho de verdade que cada um é um, e nem todos TÊM que se espiritualizar. Mas, para mim, fez toda a diferença :)

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2 comentários sobre “O parto da Elis e minha relação com a espiritualidade.

  1. Amei o texto. Sou suspeita para falar sobre isso, pois sou uma pessoa que vive a espiritualidade há muito tempo, e não sei ser diferente.Escrevi um pouco sobre isso no meu blog, falando da minha dificuldade em batizar minha filha.Mas acredito MUITO que tudo tem uma razão de ser. Mas que nem todos precisam acreditar nisso para serem mais felizes e mais fortes. Eu preciso. E se isso está te fazendo bem, aproveite!

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