Primeiro de maio: a maternidade e as leis trabalhistas. Vamos pensar juntas?

Já faz um tempo que venho pensando em escrever minhas impressões sobre o mundo do trabalho depois que a Elis nasceu. Nunca falei sobre isso aqui. Hoje é dia do trabalho, feriado, e de repente me bateu que pode ser um bom momento para escrever sobre isso, e gerar alguma discussão e reflexão sobre o trabalho e a maternidade no Brasil.

O que posso dizer, logo de cara, é que a escolha pela maternidade ativa (estar o máximo possível perto da Elis, acompanhando seu crescimento, colocando em prática o que escolhi como mãe), está inversamente proporcional às regras de trabalho no nosso país. Vou explicar. Posso estar errada, pode ser só uma impressão individual, talvez eu deva pesquisar melhor. O trabalho com carteira assinada está totalmente fora de cogitação para uma mãe que quer ficar perto dos seus filhos. Porque, podemos, ao nascimento deles, decidir trabalhar em casa, para que possamos ficar mais próximas. Legal! Ótimo. Mas não somos protegidas pelos direitos trabalhistas. Podemos pagar o INSS como autônomas, mas mesmo assim, os direitos me parecem muito longe de serem cumpridos de forma que agrade a todos os lados.

A escolha por estar perto dos nossos filhos é mais uma batalha que temos que aprender a enfrentar, dentre de tantas outras, depois que nossos filhos chegam. Porque o nosso país não está preparado para esta forma de viver das novas mães. Muitas mães que trabalhavam registradas, antes de engravidar, quando voltaram foram mandadas embora pela empresa, já que não eram mais lucro, e dá muito trabalho manter alguém que tem tanta ligação do “lado de fora”… alguém que reivindica pelos direitos de estar perto dos filhos, de querer amamentar na hora do almoço, por exemplo, de querer trabalhar menos horas para acompanhar seu crescimento mais de perto, flexibilizar horários, etc.

Acredito que uma grande reforma no sistema trabalhista do Brasil é necessária, para que as mães se sintam acolhidas e possam criar seus filhos de outro jeito. Na minha opinião, a nossa sociedade está passando por um momento de transformações e revisão de valores, de educação, da forma como criamos nossos filhos, e as mães atuais tendem cada vez mais a querer ficar perto dos filhos. Acredito que isso é investir em um futuro melhor para as próximas gerações. Sou do grupo que acredita que, tudo o que uma criança precisa é estar próxima dos seus pais, e quando ela tem isso, ela terá base para enfrentar as tantas dificuldades que a vida vai demandar. E ela vai demandar, pode ter certeza. Essa base de amor é muito importante, e acho que é investir em um futuro com pessoas mais humanas. E investir em pessoas mais humanas, é pensar na forma de trabalho nos dias de hoje. Acho que uma situação está diretamente relacionada com a outra.

Mas não venho aqui dar alguma resposta, e sim, neste primeiro de maio, levantar questionamentos: o que precisa mudar nas leis trabalhistas, e o que nós, mães, podemos fazer para irmos, aos poucos, mudando este cenário? Acredito que é um assunto que precisa ser discutido, para reivindicarmos pelos nossos direitos, e também ajudarmos de alguma forma.

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4 comentários sobre “Primeiro de maio: a maternidade e as leis trabalhistas. Vamos pensar juntas?

  1. Concordo contigo! Estar próximo do bebê e manter um emprego CLT de 44 horas (no mínimo) tem sido um malabarismo. Conforme a função a demanda por horas extras, viagens e compromissos de última hora vão tornando a maternidade ativa inviável. E na hora de optar, a angústia perante o impacto financeiro é intensa. Vamos falar mais sobre isso! Adorei.

  2. Eu estou trabalhando pouco ainda, dou aulas de inglês a noite em uma escola, meu companheiro foi dispensado do trabalho ha 10 meses, e agora não temos mais nada do que ele recebeu. Estamos só com a minha renda, de certo, e ele tem feito uns freelas, não conseguiu ainda nada fixo. Eu estou precisando colocar a Elis em uma escolinha, meio período, porque o dia inteiro não consigo nem pensar… mas meio período seria otimo para eu dar minhas aulas e, se der, me cuidar um pouco, estou precisando muito… ter um tempo pra mim… e meu companheiro precisa também de tranquilidade em saber que a Elis vai ficar bem, mesmo que ele não esteja aqui, porque é ele que tem ficado com ela quando vou trabalhar, mas quando chamam pra fazer freela é um Deus nos acuda… e chamam tipo um dia antes! tem que se virar na hora pra deixar com alguém! Passando ela pra escolinha a tarde, eu passo a dar aula a tarde também, assim ele fica livre pra fazer os trabalhos dele…mas de inicio, financeiramente ficaremos mega endividados, porque não temos de onde tirar o dinheiro da escolinha! mas precisamos muito disso, pra poder tomar fôlego e seguir em frente… foram muitos meses de uma grande crise, financeira, sim, mas principalmente psicologica… Ahh, detalhe que escolinha publica não aceita meio periodo na idade dela… ou é o dia todo ou não é… então fica realmente dificil!! as vezes acho que ta tudo trocado… porque a partir só dos 4 anos é que pode meio período, mas na hora que eles mais precisam de nós, até os 2, são obrigados a ficar o dia todo??nessas horas vejo como tá tudo de ponta cabeça. entendo que eles pensam nas mães que trabalham o dia todo e não têm outra alternativa, mas poderiam fazer algo em meio período, na rede municipal, pra ir aos poucos mudando isso… tenho vontade de lutar pra que isso aconteça… tá tudo trocado, gente!! rs

  3. Uau Carol, que desafio! O duro é que muita coisa só vem a tona quando entramos em contato mesmo. Essa situação de centros de educação infantil não oferecerem meio período, não sabia. :-/

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