Uma semana de Renascimentos (Uma opinião sobre o filme O Renascimento do Parto)

Para inaugurar a nova “casa” do blog Parir-se ao Parir, e marcar uma nova fase deste espaço, que é tão querido por mim, nada melhor do que aproveitar a estréia de um filme que vai ajudar a mudar a historia dos nascimentos dos próximos bebês no Brasil – e contar a historia de bebês que já nasceram de uma forma mais humanizada, trazendo uma nova perspectiva para este assunto no país.

Nesta terça-feira que passou, dia 06 de agosto, fui assistir à pré-estreia do filme O Renascimento do Parto, um documentário produzido por Érica de Paula e Eduardo Chauvet. Além do conteúdo super importante, ele tem uma curiosidade a mais: sem ajuda financeira para lança-lo e coloca-lo no cinema, os produtores pediram ajuda nas redes sociais. Foi então que, no tempo recorde de 4 dias, a meta financeira necessária para lança-lo, foi alcançada. Como? através do Crowdfunding – uma espécie de financiamento coletivo pela internet.

Abaixo, o trailer:

Na sala de cinema, ativistas do parto, grávidas, casais pensando em ter filhos, profissionais da saúde, da mídia, entre outros. Eu, que me incluo em algumas destas categorias: ativista do parto, pensando em ter mais um filho (mas daqui mais ou menos um ano pensaremos de verdade rs), profissional da mídia (afinal, meu MTB de Jornalista formada tem que servir de algo, né?), fiquei totalmente mexida, intrigada, ocitocinada (cheia de ocitocina), feliz. Mas, ao mesmo tempo senti muita tristeza pelas mulheres que já foram enganadas, que deixaram seu parto escorrer pelas mãos, ao deixar a decisão do parto nas mãos do médico ou da família. Eu, que já sabia de boa parte das informações do filme, fiquei mexida demais com as imagens e historias, com a edição muito bem feita, com as mulheres chorando, de alegria ou de tristeza, pela forma como tiveram seus filhos.

Outra coisa que me chamou muito a atenção foi meu super ídolo da adolescência (quem me conheceu naquela época sabe como ele era importante para mim rs) Márcio Garcia, falando, junto com sua mulher, sobre o nascimento dos seus três filhos, de forma muito emocionada, muito informada, sobre a caminhada deles na busca pelo parto mais respeitoso para ela e para o bebê.

Acho que a voz dos homens precisa, mesmo, aparecer, e faço aqui um pedido: homens, falem! Deixem sair tuas ideias, não guardem. Homens que vivenciaram os partos de seus filhos, conversem sobre isso, para que este assunto não fique apenas entre as mães. É também parte do mundo de vocês. E a presença de vocês no parto é super importante. É bonito demais de ver o envolvimento de alguns homens na causa, e acredito, tenho fé, que outros ainda se transformarão em grandes defensores pelo parto natural.

renascimentoO filme tem toda a cara de ser usado para trabalhar o debate do assunto, em grupos de mulheres, em escolas – alunos de colegial, talvez – em hospitais, em lugares públicos em geral. Eu, como educadora, fiquei com vontade de perguntar, no final da sessão – quando os produtores do filme conversaram com a plateia – se eles têm planos de pensar a distribuição para todos os lugares e pessoas, para que trabalhemos como educadores e cheguemos onde o assunto não é debatido. Eu, em especial, fiquei com muita vontade de levar o assunto para UBS´s, na saúde pública das cidades, para levar o questionamento para pessoas de todas as classes sociais. Sem cobrar, de forma aberta e pública. Quem sabe, um dia, chegamos lá?

Na mesma semana da estreia deste filme, passei – e ainda passo – por grandes emoções no assunto “parto”, pois duas amigas tiveram seus filhos. Eu me senti, meio que, uma doula, para as duas, afinal as duas vieram me contar sobre contrações e sensações do parto. Eu, que desde que Elis nasceu, me sinto sozinha na minha “turma” de antes dos filhos – até agora, eu estava sozinha, era a única com filhos. Agora parece que minhas amigas resolveram engravidar em sequencia, e eu vejo isso como um sinal, talvez eu deva passar as informações que aprendi nestes dois anos de pesquisas, talvez eu possa ajuda-las de alguma forma. E talvez elas possam me ensinar algo, também.

Não acredito em coincidência, acredito que algo tenho a aprender com tantas vivências em uma semana – dois partos de amigas e assistir a este filme. Posso dizer que, neste momento, me sinto muito, muito mexida. Quase não consigo dormir, estou inquieta, pensando nessas duas amigas. Mexeu bastante comigo esta semana e este filme, e é por isso que decidi, nesta semana, vir “morar” no WordPress. Uma nova casa, para um novo momento interno, meu. Uma faxina sempre faz bem, né? jogar fora o que não serve mais, e trazer pra dentro do coração, o que quer ecoar e viver.

Uma semana cheia de significados para mim, de acontecimentos, e um filme, que irão ecoar no meu coração e na minha alma, por muito tempo. Tudo isso tem tirado meu sono, meu coração bate forte, minhas emoções estão a mil. Como diz uma frase que está passando pelas redes sociais esta semana: “transbordo, não nego, volto quando couber” – não sei o autor desta frase, mas define exatamente quem eu sou, esta semana. Transbordo em emoções, em alegrias, em tristezas também, muitas coisas mexem dentro do meu coração, neste momento. Estou transbordando. Transbordo, sem culpa, e deixando as emoções falarem alto e, depois de um tempo, me dizerem o que de verdade tudo isso significa para mim.

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Imagem retirada do filme

E faço um convite: que O Renascimento do Parto signifique o nosso renascimento também, não só do parto. De pessoas, da forma de enxergar a vida, de deixar as coisas boas tomarem conta de nós, e as coisas ruins, não as jogaremos fora – aprenderemos com as vivencias. Para olharmos para frente, de outra forma. Com outra perspectiva.

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