Relato de pós-parto

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A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra….

Meu relato de pós-parto na página Pós-Parto Sem Tabu https://www.facebook.com/pospartosemtabu?ref=ts&fref=ts

Relato do Parto: https://parirseaoparir.wordpress.com/2011/06/25/uma-historia-de-parto-feliz-o-nascimento-da-elis/

Escolhi esta foto, Elis com 1 semana, porque ela é muito simbólica. Quem lê a escritora Laura Gutman, no livro Maternidade e o Encontro com a própria Sombra, sabe do que eu to falando.

Meu parto e meu pós-parto foram muito marcantes, mas cada um por um motivo especifico e diferente. O parto foi meu momento de renascimento, de verdade. Uma experiência que até hoje, dois anos e dois meses depois,eu trabalho em terapia, para entender seu real significado. Elis nasceu em casa. A ideia era que o parto fosse na casa de Parto de Sapopemba, mas não deu tempo, foi tudo muito rápido e ela nasceu em casa. Foi um momento de profunda transformação para mim, física, espiritual, psicológica.

O parto foi muito especial, inesquecível no sentido positivo. Ali senti, mesmo, que uma Carol morreu, e outra nasceu. Uma Carol que nem eu conhecia, confesso.

Mas, como diz Winnicot (se quiserem o nome do livro passo depois,esqueci agora rs), para nascer uma mãe, precisa morrer uma mulher. Aquela mulher que morreu ali, no nascimento daquela criança. Todas nós passamos por isso, umas mais intensamente, outras menos. Winnicot diz que, depois que nasce essa mãe, junto com o bebe, existe um tempo em que temos que “enterrar” aquela mulher que morreu ali. Viver nosso luto, agradecer também, pelos aprendizados que ela trouxe. E isso leva tempo. Às vezes, muito tempo. Às vezes, muitos anos.

Eu vivi, e ainda vivo, esse processo de enterrar a Carol que existiu antes. Mas não é enterrar no sentido ruim da coisa, de matar, fúnebre. É uma espécie de poda, para que as folhas mortas sejam retiradas da minha alma, e as folhas novas possam nascer em sua plenitude. E claro, muita coisa boa, “do lado de lá”, continuou aqui, mas procuro rever todas elas sempre, para saber dentro do meu coração se elas são realmente minhas, ou se alguem me mandou ser assim, e eu fui, sem questionar, se aquilo fazia, de fato, sentido para mim.

Nunca me esqueço. Elis com 10 dias, meu companheiro me deu um beijo pra ir trabalhar, depois desses 10 dias comigo. Eu, completamente sozinha, vi ele saindo pela porta, e me vi começando a chorar. Um choro que vinha da minha alma. De medo do desconhecido, de medo de não dar conta, de ser uma mãe ruim, medo do cansaço, medo, medo, medo. Medo de morrer de solidão. Medo de nunca mais ter minha vida de volta. Eu chorei muito, muito, nessa hora. Em uma cidade desconhecida, longe de todos, e quem eu queria que estivesse perto, não estava. A família enchendo de perguntas, de “eu acho que”, de “tem que”, e eu, pirando cada dia mais. Não aguentava mais, sentia que não ia dar conta, me sentia fraca, apesar do parto transformador. Naquele momento, perdi o pouco do chão que tinha.

Ali comecei um processo de entrega ao desconhecido, aos poucos. Foi quando peguei o livro da Laura Gutman e ganhei novo animo, as coisas passaram a fazer mais sentido… mais sentido porque vi que era normal eu estar daquele jeito. Que eu era só mais uma mulher, perto de tantas outras, passando pela mesma coisa. Comecei a frequentar com mais assiduidade os grupos online, e também pessoalmente, de pós-parto. E aí, me senti parte, parte de uma tribo mundial. Parte das recém-mães. E todas elas, sentiam o mesmo que eu… essa angustia, esse não saber, esse desespero. Vi que era normal, e me senti acolhida. E a cada grupo uma ajudava à outra, contando suas vivencias, chorando junto, rindo junto, enfim. E essa sensação de me sentir parte de algo, foi me reerguendo. E aí, bom… aí minha caminhada começou, e ainda não parou. Ainda me sinto no pós-parto, ainda sinto que preciso trabalhar muitas coisas. Mas é essa tribo materna que me dá força todos os dias. Para rir, para chorar.

Meu envolvimento no pós-parto foi e é tão grande, que o amor passou fronteiras, e esse grupo foi fundado. Eu e Camila , que nos conhecemos no pós-parto, nessa coisa louca de se conhecer e conhecer os outros, iniciamos este grupo, com a vontade de que, cada mulher que posta aqui, ou também quem não posta, só passa, se identifique com o que nós acreditamos e vivemos, com a força do coletivo, a força dessa ciranda que tanto se ajuda. Gratidão eterna.

E ainda estou no pós-parto. É assim que me sinto, uma eterna puérpera, porque os aprendizados são tantos, todos os dias…

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