Menstru.ar

Menstruação.

Menstru.ar

O ar, o sopro que o corpo dá, todos os meses.

Uma coisa vermelha que sai da gente todo mês. Desde os 10 anos de idade.

Então quer dizer que fazem quase 22 anos que eu entro em contato com ela todo mês? Então quer dizer que fazem quase 22 anos que eu nem sei nada sobre isso? que sou obrigada pela sociedade a acha-la nojenta, chata, que ela atrapalha minha vida? Então quer dizer que eu tenho que usar anticoncepcional para regula-la, assim sei quando vou ficar, ou não, chata?

São coisas que a sociedade nos ensinou. TPM é coisa de mulher chata, melhor sair de perto, ó.

Ha um ano e meio, passei a usar uma coisa chamada Coletor Menstrual. E desde então venho tendo uma experiencia totalmente diferente do que fui apresentada até então. Primeiramente, passei a não usar mais o anticoncepcional. Não é preciso ter medo de engravidar. Camisinha, e tabelinha. Não transar nos dias férteis, que não são muitos, e usar camisinha, sempre, já é suficiente. Muitas dizem que nem precisa se preocupar com os dias férteis, usando camisinha. Percebi que o anticoncepcional cortava minha organicidade, a organicidade da menstruação, de sentir quando ela vem, de ela vir naturalmente, quando tem que vir. Com o anticoncepcional, passamos a menstruar exatamente no mesmo dia, quem manda o corpo menstruar é o remédio, e não a natureza.

Antes de engravidar da minha filha, eu usava anticoncepcional. Só deixei de usar quando decidi engravidar (e ela queria tanto vir que foi só parar de usar, e engravidei, nem menstruei mais). Mas depois que ela veio, e voltei a menstruar (3 meses e meio depois do nascimento dela), decidi que não usaria mais anticoncepcional. E desde então, meu contato com meu corpo mudou totalmente. Percebi que a menstruação não vem só naquela época do mês. Tem também uma relação com a cabeça, a psiquê feminina. Pode parecer bobagem, mas não é. Percebi que minha menstruação as vezes fica um ou dois dias para vir, e nessas vezes em que demora um pouco, se paro para pensar, percebo que tenho algum assunto a ser resolvido dentro de mim. Alguma coisa que não encarei de frente, algum medo que quero esconder de mim mesma. E quando encaro esses medos, mesmo não sabendo lidar com eles, mas apenas aceitando-os, a menstruação vem.

Acredito que esse sangue que sai da gente é repleto de poder. O poder da vida. Quando estamos grávidas, esse sangue não aparece, mas por que? Porque está gerando a vida dentro de nós! É o milagre da vida acontecendo dentro do nosso corpo. E quando o corpo percebe que a vida não foi gerada lá dentro, dá um jeito de coloca-la pra fora, para nunca nos esquecermos da força que temos. A sociedade gosta que achemos tudo isso muito nojento, sujo, que atrapalha nossa vida e a vida dos outros. Arrumam remédios para tirar a cólica. Mas a cólica, esse desconforto, ao meu ver, não é nada mais do que um aviso da natureza para nos olharmos, estes três, quarto, cinco dias em que menstruamos. É um momento sagrado. Sangramos, para entrar em contato com o nosso eu interior, e meditarmos. Meditarmos sobre nossos medos, receios, alegrias também, porque não?

A menstruação é nada mais do que a alma transbordando. A alma feminina é tão complexa e sagrada, que transborda todo mês. Para que nos olhemos, nos percebamos e entremos em contato com a nossa Deusa interior. É por isso que temos a famosa TPM. Ela nada mais é do que a natureza nos dizendo para nos olharmos, para meditarmos, para entrarmos em contato conosco. Se soubermos perceber isso, iremos sempre dar vazão a toda essa energia feminina, que a tantos incomoda e querem cortar. Mas na verdade, a sociedade patriarcal tem medo que essa mulher perceba a força que tem. Entrar em contato com a menstruação é perceber a própria força. E isso não interessa para essa sociedade.

Que tal olharmos para esse momento que vivemos todo mês, com outros olhos? Os olhos reais. E não os que colocaram na nossa frente, sem questionarmos…

PS: Pra achar essa foto acima, digitei “menstruação” no google, e, adivinhem… a maioria das imagens mostraram mulheres morrendo de dor, e sofrendo… Sociedade Patriarcal. Vamos mudar isso?

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