A vida não dá ponto sem nó.

Quando comecei este blog, há mais ou menos dois anos e meio atrás, ainda grávida, eu dei a ele o nome de “Blog Sobre o Que Me Der na Telha”, porque me conheço e sei que gosto de escrever sobre diversos assuntos, sem me pressionar a escrever sobre um determinado assunto apenas. Eu mudei muito de lá pra cá, mas não neste sentido, de ser alguém que gosta de falar sobre diversas coisas. Na verdade, somos todos assim, uma junção de fatores e vivencias. Se estamos aqui, é porque tudo o que vivemos foi necessário para estarmos aqui.

E achei interessante, que, depois de decidir que falaria mais sobre o assunto “Maternidade”, coloquei, então, o nome “Blog Parir-se ao Parir”. Mas, se pararmos para pensar, este nome continua dando lugar para falarmos sobre assuntos diversos e não apenas maternidade, pois a gente “se pare” todos os dias, através do auto-conhecimento, através das trocas que fazemos com as pessoas ao longo da nossa jornada neste mundo.

Eu disse isso tudo acima, porque neste momento passo por um momento diferente, uma nova fase do meu auto-conhecimento, mas este assunto pode muito bem continuar entrando neste blog. Porque meu objetivo é ir “me parindo” todos os dias, me conhecendo, para me libertar das amarras que eu mesma criei ao longo da minha vida – com a ajuda dessa sociedade doente, ou não.

Acho que todas as pessoas que acompanham o blog há um tempo sabem, que eu, antes de engravidar, um ano e meio antes, passei pela cirurgia de redução do estômago. A minha historia com meu corpo vem desde pequena. Sempre fui gordinha, desde os 4 anos. Algumas pessoas não se incomodam por ter grandes problemas com a balança, mas eu, sempre tive. Desde pequena me sinto (sim, ainda sinto) culpada por ser gordinha, por gostar de comer. E aí eu me pergunto: quem não gosta de comer? e porque comer tem que ser algo tão cheio de culpas e pudores?

Esse assunto “peso corporal” deixou de ser um grande problema para mim por um tempo, depois da cirurgia. Mas eu sabia que mais cedo ou mais tarde, voltaria à tona, porque a vida não dá ponto sem nó. E eu sabia que uma hora eu precisaria olhar de novo para esse assunto. E cá estou eu. Mas desta vez, quero olhar de um jeito diferente, aos poucos ir quebrando os medos, os tabus.

Eu sempre senti muito medo, quando se trata da minha relação com o peso e com gordura. Ainda não entendi direito o porque, mas sinto que estou infringindo uma regra muito forte quando engordo, sinto que serei punida, sinto que a sociedade inteira está me olhando e me analisando. É uma sensação de prisão, mesmo. E eu encontrei, nos últimos tempos, uma maneira muito especial de fugir das minhas próprias prisões: escrevendo. E desta vez, é isso que farei diferente. Vou escrever, expor o que sinto. E, quem sabe, desta forma, curar algo dentro de mim, uma ferida que está aberta há muito, muito tempo, quando se trata da relação com o meu corpo.

Não quero me estender muito, e vou tecendo meus pensamentos aos poucos, em diversos posts. Mas o que venho fazer aqui, hoje, é dizer que continuo “me parindo” todos os dias, através do ato de me olhar, me perceber. Desde que a Elis nasceu, e da maneira forte e especial como nasceu, eu venho me olhando de outro jeito, procurando me respeitar. E quero aprender a fazer isso também no assunto “peso corporal”, porque ja sei que, da forma como eu fiz antes, não deu certo. Não é a toa que decidi operar o estômago, chegou uma hora que eu cansei. Cansei mesmo. Mas agora, estou voltando a olhar, porque já entendi que não adianta mandar a sujeira para debaixo do tapete… a vida sempre dá um jeito de nos mostrar, que não adianta fazermos de conta que o problema não existe… se não olharmos para ele, ele olhará para nós.

E bora, continuar minha jornada de auto-conhecimento. Quem vem comigo?

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