Chegou a hora de ir pra escolinha…

Desde os 6 meses da Elis, eu penso em deixa-la na escolinha por meio período. Queria voltar a estudar, queria ter um tempo para mim. Acho que toda mãe sente isso. Na época eu morava em outro lugar, e fui conhecer algumas escolinhas ali perto. Mas só de entrar na escolinha, me dava uma ansiedade, um sentimento de que ainda não era hora de coloca-la ali. Eu queria e precisava ainda ficar perto dela o máximo que conseguisse. Por isso, desde esta época, deixei de lado por um tempo a ideia da escolinha.

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Foto: Jeff Santos

Quando ela fez dois anos, foi um sentimento muito diferente. Como diz Laura Gutman em seu livro “A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra“, aos dois anos há uma ruptura, quando a entrada do pai é muito importante para mostrar o mundo para a criança. É hora de começar a ver o mundo além do mundo com a mãe apenas. É hora de as primeiras palavras saírem, é hora de começar a desfraldar, talvez, começar a desmamar. Eu não precisei fazer muita força para que essa pequena ruptura acontecesse, foi natural. Eu senti que aos dois anos eu começava a voltar a me perceber como mulher, separada um pouco de ser mãe, e percebi que a Elis amadureceu, começou a ficar um pouco mais menina, menos bebê.

Minha vontade de voltar a estudar ficou maior, e também a necessidade de ter um tempo pra mim, me cuidar, ficou bem mais presente. Ao mesmo tempo, Elis se mostrava cada vez mais curiosa com as coisas lá fora. E neste momento, senti que era hora de coloca-la na escolinha. Desta vez com mais segurança, a segurança que eu e ela precisávamos para que essa nova fase acontecesse da forma mais natural possível. Eu sempre notei que com a Elis é assim: ela precisa que eu esteja segura para ela se sentir segura também. Sempre que levei isso em conta, acertei em minhas escolhas.

Confesso que no primeiro dia eu fiquei um pouco tensa, preocupada se ela ia se adaptar. Mas ao mesmo tempo, eu estava muito segura de que aquela era a melhor decisão. Eu já estava muito cansada, gripada o tempo todo, sentindo necessidade real de me olhar mais, de me cuidar. Então, fomos lá, para o “nosso” primeiro dia de adaptação na escolinha. Mais meu do que dela, né? … na primeira vez ela ja ficou super bem, chorou só um pouco na hora em que eu saí, e depois  parou. No terceiro dia ja não chorava mais, e voltava feliz, animada por ter brincado um monte. Uma semana depois, ela acordava feliz da vida, já sabendo que ia para a escola. Foi muito tranquila a adaptação dela.

E a minha adaptação a tudo isso? rs

No inicio foi difícil, fiquei tensa nos dois primeiros dias, mas ao mesmo tempo muito segura. E conforme os dias foram passando, e eu via que tinha tempo pra mim, pra fazer outras coisas, pra fazer uma caminhada, enfim… eu via que essa foi mesmo a melhor decisão a ser tomada, para nós duas. Nós precisávamos deste espaço, para que nossa relação ficasse mais saudável. E foi mesmo! Nossa relação ficou bem mais leve, quando estamos juntas, o tempo é de qualidade, e não de quantidade. Me lembro que no grupo de Pós-parto com a Cris Toledano, sempre falávamos neste “tempo de qualidade”. Porque é real, de nada adianta passar o dia todo com a criança, se você se sente cansada, precisando de um tempo pra você. A criança sente, e o tempo passa a não ser de qualidade.

E de verdade, o que me fez ficar tranquila foi perceber que ela estava bem! E estava mesmo, eu sentia. E aos poucos fomos nós duas nos adaptando a este novo e importante momento.

Eu, só tenho vontade de agradecer, porque pude esperar o tempo que meu coração pediu. Sei que muitas mulheres não tem essa opção de esperar, que precisam logo colocar na escolinha, porque precisam trabalhar, não tem com quem deixar. Eu pude ficar o tempo que senti necessário, para que fosse saudável, sem traumas. Na verdade hoje vejo que eu precisava mais dela do que ela de mim, porque ela está se tornando uma menina muito independente, bem resolvida. Ela sabe o que quer, sabe que é amada, e se sente segura de desbravar as coisas. Eu sinto isso. E isso me deixa segura também.

E bora, desbravar esse mundão, juntas! :)

ps: se quiserem saber sobre a escolha da escola, me escrevam, posso contar mais.

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