O Patinho Feio: Encontrando a nossa turma na maternidade.

spring-season-flower

Sempre que chega a primavera, eu tenho um sentimento, uma vontade de limpar coisas que ficaram pra trás, pra poder deixar que novas flores nasçam na árvore da minha vida. Com a maternidade, aconteceu algo muito forte – parece que fiquei muito mais conectada com meu corpo e as mensagens que ele me fala. Me sinto conectada com a natureza de uma forma muito forte, desde a gravidez. Me sinto totalmente parte dela. Das mil coisas boas que a maternidade me trouxe.

Estive conversando com diversas mulheres que se tornaram mães nos últimos 5 anos, e percebi que um sentimento é unânime em todas elas, desde que seus filhos nasceram: a vontade de ser melhor do que era antes. Vontade de ser quem realmente é, encontrar aquela mulher que ficou perdida no emaranhado da vida, tentando agradar a todos, menos a si. Com a maternidade, parece que surge uma vontade de ser melhor, porque alguém precisa de nós, e nós queremos ser para este alguém, o melhor que podemos. É meio que um instinto natural.

Com esta vontade de ser melhor, começamos a rever situações, pessoas, lugares, que vivemos durante toda a vida antes da chegada desses pequenos-revolucionários-de-vida. Começa-se a rever atitudes, repensar, olhar para coisas que estavam ali meio escondidas. Mas queremos olhar, porque queremos limpar, limpar as folhas mortas da nossa árvore.

E aí, começamos a encontrar nossa turma. Aquela turma que a gente sempre soube que estava esperando por nós, mas não encontrávamos. É, passamos muito tempo procurando. Preciso falar novamente aqui do livro-que-mais-amo Mulheres que Correm com os Lobos, capítulo 6 – À Procura da Nossa Turma (O Patinho Feio). A primeira vez que li este capítulo, parece que alguém estava me descrevendo o tempo todo, me assustei muito de inicio, e quando acabou eu fiquei com aquela sensação de “Wow! É isso.” e muitas fichas caíram ali. Não, não to exagerando.

A minha turma eu encontrei, a partir do momento em que me tornei mãe. Na verdade antes, na gravidez. Porque eu estava – e ainda estou – em uma busca muito intensa, interna. E com ajuda da terapia e dessas pessoas que conheci, vou percebendo que sim, eu tenho uma turma. Não, não estou perdida no mundo. Existem pessoas do “mesmo planeta” que eu. E isso é muito reconfortante, muito especial. Dá um lugar nesse mundo.

Acredito que é natural que, depois da maternidade, algumas mulheres que eram amigas antes, decidam se afastar. Assim como também acho muito digno que voltemos a falar com pessoas que achávamos que nunca mais iríamos encontrar. Comigo, as duas situações aconteceram. Assim como me afastei de algumas, me aproximei de outras, algumas há 10 anos quase sem se falar. E assim fazemos a ciranda da vida – umas pessoas entram, outras saem, e podem voltar também. É natural que tudo isso aconteça, embora nem sempre seja fácil. Ser mãe é se renovar. Buscar quem somos. Uma baita de uma aventura.

Imagem: http://www.wallpaperzhd.com/wp-content/uploads/2013/04/spring-season-flower.jpg

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s