Sobre a importancia do auto-conhecimento para militantes.

Estou completando 4 anos de ativismo em diversas áreas de militância. Já fui militante dos direitos humanos, da comunicação, da  educação, do parto humanizado. E, de algumas, ainda sou. Mas ao longo destes 4 anos venho percebendo o comportamento das pessoas que participam destes movimentos, e chego a uma conclusão pessoal: a melhor militância é pelo nosso auto-conhecimento. Pois quando nos conhecemos, automaticamente sabemos o que é melhor para nós, e sabemos qual ideia seguir, ou não.

Claro que, ao militarmos por uma ideia, pensamos no macro, em todas as pessoas e não apenas em nós. E, muitas vezes, no macro aquela ideia pode ser ótima, mas para nós, de forma pessoal, não. E é este o ponto em que quero chegar. Me preocupo porque percebo algumas pessoas levando para a sua vida uma ideia de militância, como se fosse uma cartilha a seguir, e esquecem de olhar para si, de pensar se aquilo faz sentido para ela/ ele. Exemplifico. Na militância pelo parto humanizado, fala-se muito em criação de filhos com apego, e as ideias podem ser realmente legais (ou não), mas nem sempre todas as falas da criação com apego vão cair bem para uma mãe. Às vezes, pode dificultar ainda mais, algo que ja estava dificil pra ela. Mas, já que ela não questionou, assumiu como sendo certo em todos os sentidos, aderiu à criação com apego sem questionar.

Eu sou contra este tipo de comportamento, e falo por mim, porque eu mesma peguei ideias que na verdade nem eram minhas, mas, para me sentir parte de um grupo, senti que devia seguir algumas “regras”, por mais “não regra” que o movimento fosse. Estar em um movimento automaticamente te coloca dentro de uma “tribo”, e essa tribo terá suas formas de enxergar o mundo, que nem sempre, precisam ser as mesmas que as suas.

Sinto uma urgência em nos olharmos mais, nos conhecermos, nos percebermos, para podermos questionar o que aparece para nós. Muitas vezes seguimos um movimento para nos sentirmos parte de um grupo, e isso é natural. Só não é natural, fazermos as coisas sem questionamento. Só nós sabemos de nós, pelo que estamos passando, e se aquilo cabe ou não para nós. Por isso, continuo batendo na mesma tecla: o auto-conhecimento é a base para uma sociedade melhor.

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