E quem cuida da mãe?

Ontem tive febre. Fiquei mal, de verdade. No estilo “cama – banheiro” o dia todo, como nunca ficava, desde a gravidez. Na cama eu tentei assistir a alguns filmes, mas não consegui assisti-los o tempo todo, pois a febre me pedia para dormir, dormir muito.

Esta febre veio no momento em que eu estava na casa da minha mãe, depois do natal. Eu tinha ajuda para alguém ficar com a minha filha enquanto eu tentava me recuperar (e ainda estou me recuperando). E tinha ajuda, também, de alguém que cuidasse de mim e me lembrasse de medir a febre de tempos em tempos, tomar remédio se necessário, enfim. Eu tive essa ajuda, e agradeci aos céus, por isso. E me imaginei doente, assim, nos tempos em que eu não tinha nenhum tipo de ajuda. Nenhum mesmo – só eu, Deus e minha filha, pra cuidar de nós duas.

Ha mulheres que moram longe da família, por opção ou não. Ha mulheres que não têm mais seus pais vivos. Ha mulheres que não podem pedir ajuda para a família, mesmo que more perto, por “n” motivos. Muitas vezes, sim, foi uma escolha dela morar longe, e isso não pode e nem deve ser um problema.

E como fazer, nos momentos em que é necessário nos resguardarmos, ficarmos quietinhas, seja por conta de uma doença, seja porque queremos estudar, seja porque queremos apenas ficar de papo pro ar, sem fazer nada, apenas tirando um tempo para nós? Para mim, esse espaço é vital. Esse espaço, esse momento em que estou comigo, me fortalece, e fortalece também a minha relação com as pessoas que convivem comigo.

Este caso de doença e febre é um caso extremo, certo? pois não é apenas para estes momentos que precisamos de um tempo para nós. É um caso BEM extremo. Mãe tem vontade de sair, beber umas, ver as amigas, olhar o por do sol, ir a um show. Ir ao salão de beleza, enfim. O que quiser. Mãe, e todas as mulheres, tem direito de fazer o que é melhor para elas. E acredito que é muito importante ter uma retaguarda. Uma rede de apoio entre mães, entre mulheres sem filhos também, porque não? Essa rede de apoio muitas vezes é a própria família e as pessoas convivem muito bem assim, mas, em outros momentos, os amigos é que são a família. Pessoas que possam ajudar, fazer esse apoio.

Essas redes de apoio já existem em alguns lugares, mas ainda em muito pequena escala. Acredito que este tipo de vivência precisa ser levada a sério, e as mulheres, mais e mais, praticar a sororidade.

Sororidade: união e respeito entre as mulheres. Precisamos nos unir. Precisamos muito umas das outras. Não podemos continuar competindo entre nós. Competir é dar um soco no nosso próprio estômago. É exatamente isso que uma sociedade patriarcal quer: que as mulheres briguem bastante entre elas, até que não sobre mais nada de nenhuma delas.

Eu não quero isso, e nem você.

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