Como lidar com esse vai e vem de gente na vida? Não é uma resposta. É uma proposta.

ways-express-gratitude-sieverkropp… e não quer dizer que eu consegui.

A vida é assim: um vai e vem de gente. Gente entra e fica por um tempão, e parece que nunca mais irá embora. Gente entra, fica algum tempo, e depois sai. Gente que parece que ia ficar pra sempre, mas não fica nem um segundo. Gente que você tinha certeza de que nunca faria parte da sua vida, e, pra sua surpresa, é das melhores companhias ha anos.

Não sei quanto a quem lê este texto, mas para mim, essa coisa de desapegar é muito difícil. Desapegar das pessoas. Diversas pessoas que tiveram grande importância na minha vida, saíram dela. Saíram de forma anunciada. Foi decidido, de minha parte ou da parte do outro, que não mais existiria aquela relação. Não a relação falada e compartilhada “na terra” (porque eu acredito que a relação terrena é só uma parte).

Talvez por mágoa, ou só por puro desencontro. Algumas pessoas vêm, entram na nossa vida, fazem a maior bagunça no coração, e, sem mais nem menos, percebe-se que aquela relação já não é mais a mesma, e acaba. Quando falo “bagunça no coração” digo uma bagunça boa. Aquela que mexe mesmo, que faz você amar a pessoa mais do que tudo. E não, não to falando de relacionamentos românticos, de casais, to falando principalmente de amizade.

E como fazer pra lidar com esses relacionamentos que, de repente, sem você esperar, acabam? Será que guardar mágoa ajuda a esquecer? Muitas vezes pensei: “que bom que estou com raiva, assim fica mais fácil de esquecer”. Ledo engano. Pois quanto mais raiva eu sentia, mais mágoa, parece que a pessoa e a lembrança do relacionamento ficava mais presente na minha vida. Quanto mais eu alimentava meu orgulho, pensando que “foi bom que terminou, eu não queria mesmo, mereço coisa melhor” foi pior pra mim. Pois se aquele sentimento existe, querendo ou não, a pessoa era muito importante para mim. O sentimento é legítimo.

E quanto mais a gente negar esse sentimento, mais forte ficará a dor. É como se eu te dissesse: “não pense no elefante”. Você vai pensar em quem? No elefante, é claro. O caminho não é “precisar esquecer”, e sim, encontrar um novo lugar para essa pessoa dentro de nós.

E para encontrar este novo lugar, antes de tudo, o que temos que fazer é agradecer. Sim. Mesmo com tudo o que foi dito de ruim, mesmo com o sentimento ruim que aquela relação acabou. Se ela durou por algum tempo, algo de bom ela teve. Algo de bom essa pessoa nos ensinou. Alguma , ou muitas, lembranças boas você tem. Pois guarde essas coisas boas, bem guardadas, dentro do seu coração. Não as queira esquecer, negar. Elas são suas, e são boas. Elas são você. Elas são você vivendo a vida, e não passando por ela, com medo. Então agradeça do fundo do seu coração, por tudo o que você aprendeu e viveu de bom com essa pessoa.

A gratidão faz algo dentro do coração. Parece que abre o peito, abre a cabeça, é como se abríssemos a janela da alma. Entra o sol, até o outro lado, invadindo o peito de amor e coisas boas. E com a gratidão, aos poucos, vamos encontrando um novo lugar para esta pessoa em nós. Esta pessoa nunca deixará de fazer parte de nós, por mais que queiramos negar isso. Arrume um novo lugar. Quando a pessoa aparecer na sua mente, quando uma lembrança vier, não tente afasta-la. Acolha-a. Agradeça. E depois, diga: “eu te acolho, te amo pelo que me ensinou, e você faz parte de mim. Agora, encontro um novo lugar para você dentro de mim”.

Outra coisa que acho importante lembrar aqui é sobre a palavra PERDÃO. Muitos dizem que temos que perdoar as pessoas pelo que elas fizeram conosco. Eu concordo. Mas para chegarmos neste nível de perdão, existe um outro muito mais difícil de aceitar, que é o perdão para conosco. Porque no fundo, quando nós não perdoamos alguém, é porque algo dentro de nós também precisa de perdão. Não conseguimos perdoar algo nosso. Com isso, vamos criando orgulho, que se transforma em falta de amor próprio, que se transforma na falta de perdão por nós mesmos. É uma série de sentimentos, que desencadeiam outros, e outros, até que nossa autoestima vai diminuindo e nossa capacidade de perdoar os outros vai também diminuindo. Porque não conseguimos ser gratos. Sempre achamos que a vida nos deve algo.

O processo de autoconhecimento é uma jornada imensa, e acho que nunca para. A cada fase que fechamos, abre-se outra. Ha sempre algo para conhecermos dentro de nós. E, consequentemente, algo para conhecermos nos outros.

Somos todos muito complexos. E muitas vezes, desencontros acontecem. Isso é normal. O que não pode e não deve ser normal, é sentirmos culpa, medo, falta de amor próprio e pelos outros. Esses sentimentos podem se transformar em grandes doenças no futuro, caso não sejam tratadas na raiz. E a raiz é GRATIDÃO. Exercitemos.

PS: Texto escrito na inspiração, depois do filme Onde Vivem os Monstros, um dos mais lindos que já assisti na vida. :)

Imagem: ways-express-gratitude-sieverkropp.jpg

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