Verdades e julgamentos da maternidade: desarme-se.

Acabei de ler este texto da Anne Rammi, do Mamatraca, que resumiu bem o que tem acontecido com as mulheres no mundo da maternidade. Essa guerra entre mães (e pais) e formas de se criar um filho. E venho aqui “me confessar”: eu julguei.

Acho que o julgamento faz parte das pessoas, é natural que a gente julgue, sim. Faz parte de uma autoafirmação que buscamos quando somos novas mães, uma forma de dizer para nós mesmas que o que estamos fazendo é o certo, que podemos confiar em tudo, que estamos certas em todos os sentidos. Acredito que seja também, pelo menos no meu caso, uma forma de se defender de tantas dificuldades de relacionamento que aparecem logo no inicio da maternidade, ainda na gravidez. As pessoas querem dar pitaco, em tudo, e isso enche o saco. Então, criamos ideias “perfeitas” de maternidade, onde quem não as segue, está fora do grupo dos “conscientes da criação dos filhos”. E assim seguimos, por um tempo, como forma de autodefesa.

Mas depois de um tempo, cansa. E fica cada vez mais claro, como este julgamento pode ser nocivo para todas as pessoas que criam filhos. Porque quando criamos uma “verdade universal”, quando achamos que só nós estamos certos, nos fechamos para receber novas ideias, que poderia ser exatamente aquela que faltava para resolvermos algum problema. Mas, por puro orgulho, nos fechamos para estas novas ideias.

As pessoas falam, falam mesmo. Sim, isso é um saco. Sim, às vezes dá vontade de mandar “praquele” lugar. Mas, com a minha experiência de 4 anos lidando com julgamentos e verdades preestabelecidas por mim, eu posso dizer: na maioria das vezes, as pessoas não falam por mal. Elas não estão dizendo que você faz algo errado. Estão apenas dando a opinião delas, contando algo que aprenderam, algo que viveram. Quem decide se você vai fazer, ou não, é você. Quem decide se isso é certo ou não, para você, é você mesma. E muitas vezes, sim, o conselho pode ser muito proveitoso. Se nos desarmarmos para receber o que vem de fora, a vida fica mais leve. Se entendermos que é apenas a opinião da pessoa, mas que não há nenhuma obrigação de você fazer aquilo, A MENOS QUE VOCÊ QUEIRA, é libertador. E entender que nós não somos o centro do universo, mas somos importantes para ele mesmo assim, fica melhor, também.

Foi muito bom, para mim, me autoafirmar e ficar este tempo mais “radical” nas minhas ideias de criação de filho, foi bom porque desta forma eu criei uma autoconfiança, que antes, nunca tive. Pode ter a ver com a sensação de fortalecimento que senti com o parto. Senti que “sou demais” e capaz de tudo. De fato sou, de fato me fortaleci, de fato aprendi muitas coisas legais sobre criação de filhos. Mas nada disso me impede de ouvir os outros, de abrir um pouco mais minha mente para o externo, e, principalmente, de me DESARMAR.

Quando me desarmei, e ainda estou neste processo, passei a entender que todos são dignos de respeito de minha parte, independente da opinião que tenham. Ficou mais fácil de entender que cada um tem suas vivencias, seus problemas, que muitas vezes são bem pesados – e as vezes a gente nem tem a dimensão do que a pessoa viveu. E muitas vezes essas pessoas só querem uma atenção, um ouvido, e encontram em uma recém mãe – tão materna, tão “bicho”, cheirando a leite materno e selvagem – algum lugar de acolhimento. Elas só querem um “colo”. Todos temos problemas e carências. Até nós, né?

E você, também sente falta de um colo? ;)

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