Grupos de maternidade: acolham.

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Post que fiz especialmente para o grupo Partejar Santista. E vale para todos os outros.

Em outubro de 2010, minha vida se transformou. No dia 27, soube que eu não era mais sozinha neste mundo. Havia um serzinho habitando meu corpo. Minha filha já fazia parte do meu mundo.

O inicio foi confuso. Me senti perdida. Entrei em choque com a família toda, alguns não aceitaram bem a notícia de um bebê na família (sim, eu era a primeira a trazer netos/sobrinhos, era a primeira a “mudar o status” da vida de tanta gente). Eu sentia toda aquela pressão, toda aquela expectativa de todos na família. Ainda não tinha aprendido a lidar com tudo aquilo.

Antes de engravidar, idealizava muito a maternidade. Achava que a vinda de um bebê resolveria meus problemas, que me aproximaria de quem eu estava longe. Mas a realidade me trouxe coisas muito diferentes. Me trouxe uma solidão imensa. Me trouxe uma sensação de não ter ninguém ao meu lado, afinal estavam todos confusos.

Como tudo na vida ensina, eu aprendi que com as crises, muita coisa boa vem também. Depois do choque inicial, e de muito chorar e me sentir perdida, fui buscar ajuda onde eu já conhecia. E o que eu conhecia eram as pessoas com quem me relacionava na pós-graduação, em São Paulo. Minha professora, grávida de 2 meses, me indicou um grupo na Vila Madalena, onde várias mulheres se encontravam para falar de parto e maternidade. Fui perdida, procurando algum lugar que me acolhesse, que me fizesse sentir menos “ET”.

E encontrei. Era um grupo que militava a favor do parto normal e mostrava a real para as mulheres grávidas – a real que os médicos, em sua maioria, não contam. Que nos planos de saúde, 80% dos nascimentos ocorrem por cesárea, no Brasil. E pelo SUS, 50%. O recomendado pela OMS, é 15%. Resumindo: não basta querer que seu parto seja normal, você precisa lutar, de verdade, pelo que quer. E se encher de informação, e fortalecimento interno.

No pós-parto, vivi também em grupos. Conheci muitas mulheres, mulheres que me ajudaram neste fortalecimento. Continuei me sentindo sozinha, por muito tempo ainda, após o nascimento da minha filha.
A união dos grupos de mulheres me ajudou muito, a ponto de me tirar de grandes crises. Um grupo de mulheres tem grande poder, quando se une, para fortalecer uma à outra. É capaz de curar até feridas que estavam na alma, desde a infância. Quando um grupo de mulheres se respeita, respeita as diferenças e sente empatia, uma grande luz de cura se forma entre elas, e o benefício de cada uma é imenso.
No entanto, algo que me deixou muito triste, e por um tempo até me afastei destes grupos, foi perceber que nem sempre há união – há, também muito julgamento. E o julgamento é algo que tem a mesma força que a empatia, mas em sentidos opostos. Julgar as escolhas de uma mulher, antes de saber a historia dela desde a infância, é ser injusta. E nós não temos como saber o que esta mulher passou na vida dela, pois não estamos com ela em todos os momentos. Então, NINGUÉM pode julgar a escolha de uma mulher. Apenas estar ao lado. E informa-la, com calma e amor.

Muitas vezes, nós, na nossa sede de “empoderamento” (palavra forte que lembra PODER, e ultimamente vem sendo transformada em “onipotência” – o poder na mão de uma pessoa só), queremos encher as mulheres de informações, de uma só vez. Queremos julgar a escolha dela, queremos mostrar para ela que a escolha dela não é boa. Mas, nesta sede toda, falta empatia. Falta dar tempo ao tempo, falta acolher esta mulher com amor. Falta entender as diferenças, respeitar a individualidade do outro. E, em um momento como este, uma mulher pode desistir de buscar informações, porque foi recebida de forma hostil. E aí, ela não fará as escAcolhimento_m_os_1olhas dela com base em informações confiáveis. Irá se afastar e deixar que o sistema a leve. E não há algo mais triste, para mim, do que esta situação.

Eu amo quando mulheres se ajudam, me fortaleço, e esta minha força vai passando para todas as mulheres abertas ao novo. Muitas vezes, estamos perdidas, e podemos buscar acolhimento com outras pessoas que possam se colocar no nosso lugar.

Empatia: Capacidade de compreender o sentimento ou reação da outra pessoa imaginando-se nas mesmas circunstâncias.

Mulheres, com este texto, venho fazer um pedido cheio de amor. Cheio de ocitocina. Cheio de vontade de ver outras mulheres parindo de forma respeitosa e entendendo a força que ha nelas. Sejamos empáticas. Levemos em conta a historia de cada uma. Vamos acolher, quem está chegando, com muito amor. Porque é com amor que uma criança deve ser recebida neste mundo cheio de ódio. Vamos mostrar que o amor é possível, desde a barriga. Vamos parir crianças que se sentem imersas neste ambiente de empatia e cuidado, uma com a outra.

O sistema quer que fiquemos desunidas. É interessante, para esta sociedade patriarcal. Sejamos resilientes. Resistentes. E através do amor, uma pela outra, iremos quebrar cada fio de ódio. O amor pode revolucionar.

Imagens:

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